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terça-feira, 28 de maio de 2013

Jogando ludo

Ontem, dia 27, feito 4 meses da tragédia na boate Kiss em Santa Maria (RS) e refletindo sobre o, desde então, comportamento das autoridades com relação ao agrupamento de pessoas e complexos de eventos, resolvi finalmente me posicionar.
Enquanto o povo fazia seu panelaço em homenagem às vítimas desse fatídico domingo em que fui acordado com todos os canais já com links ao vivo, o prefeito da cidade mais jovem do Sul reafirmava, em entrevista ao Jornal do Almoço (Rede Globo - RS), que a prefeitura não tem nenhuma responsabilidade sobre o incidente e acredita em um breve reconhecimento jurídico sobre essa isenção.
Sou de uma criação diferente, em que fui incitado a solidarizar, independentemente do cenário. E toda vez que assisto esse tipo de juízo parcial, fico muito triste.
Não é o mesmo Poder Público que diz "'vamos' combater a dengue"? Para algumas coisas, somar responsabilidades; para outras, tirar o corpo fora? E quantas denúncias o Povo não fez sobre essa e outras casas de espetáculos? E quantas vezes o Povo não compartilha administração pública comunicando-se, dos mais recônditos espaços de uma cidade, com seus representantes?

Dia desses foi até engraçado: um vereador que foi meu colega de trabalho postou sua atividade no Facebook, comentando ter acabado de sair de uma reunião em que se iniciava discussões sobre um novo layout e soluções de estacionamento em torno da igreja matriz da cidade. Pois 90% dos comentários no post foram solicitações e sugestões sobre outros assuntos. Isso prova que à menor brecha existente, o Povo quer participar. Mas esse modelo de gestão participativa existe? Pessoas são complexas, e pessoas com poderes ficam mais complexas ainda? Ou não tem lugar nos poderes para Ágora? O Povo tem capacidade de dialogar seus problemas com sensatez?
Há cerca de dois meses presenciei um "quase acidente" de trânsito próximo de minha casa e, nesse caso, nenhum dos dois indivíduos, nem o da bicicleta e tampouco o do carro, eram culpados. A culpa era do morador de uma casa na esquina desse cruzamento, que não podou suas três árvores, impedindo completamente a visão do motorista.
Imediatamente saquei meu celular do bolso, fiz fotos das árvores e enviei ao Poder Público no canal pertinente quando fui correspondido prontamente por uma servidora que informou ter encaminhado o email ao secretário competente. Infelizmente as árvores só foram podadas há 15 dias. Com isso entendi que o morador da esquina acabara de perder o posto de culpado para o Poder Público, fruto do meu voto.
E, quando pensei sobre ser fruto do meu voto, o Poder Público perdia o posto de culpado para mim. Mas como havia feito minha parte, a culpa voltava para o Poder Público. E assim esses personagens iam bagunçando minha cabeça em um perfeito ludo.
A verdade é que, infelizmente, o Povo e tão menos seus representantes administrativos, entendem a governança como ato representativo e subordinado ao próprio Povo. Trata-se do exercício de tutela dos equipamentos e ferramentas públicas! Enquanto isso não for compreendido, gestão participativa é piadinha pra boi cochilar.

Alex Pinheiro

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a imagem-título é uma invenção de Mariah

 
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