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sábado, 28 de fevereiro de 2009

as dezesseis botas

Faz alguns dias, uma gata gorda e folgada trouxe à luz, em meio a um estardalhaço que acendeu lâmpada em toda a vizinhança, dois gatinhos. Bom, em hora achávamos tratar-se de dois. Depois, passada a confusão com as cores, descobrimos que habitavam a garagem de casa, em verdade, quatro gatinhos. Eram brancos, cinza e negro. Mas à noite eram todos pardos, barulhentos e destemidos.

Acreditam vocês que uma noite sai de meu quarto, que faz anexo da casa, pra beber água gelada já que ainda não tive audácia financeira de comprar um frigobarzinho. Quando abri a porta da casa pra ser invadida de madrugada sem luz, um ser de velocidade impressionante reinventou o caminho para as Índias, entre meus pés. Era um dos gatinhos que esteve bem confortável, montado sobre densa pelagem na pata e jantando metade de um bife de alcatra. Aquele bife havia sido meu. Eu não tinha conseguido comer ele todo, mas era meu!

Noutra feita tropecei num deles quando saía da casa rumo ao meu amado ócio e, confesso, variadas vezes me assustei com esses projetos de arruaceiros noturnos. Fui buscar informações e descobri que eles podem viver até vinte anos, mas que o humano já conheceu um gato com trinta e dois anos. No entanto, essa expectativa de vida está relacionada, é óbvio, com o comportamento do gato. Esses desordeiros da madrugada que afanam seu sono terão em média apenas dois anos de vida, segundo biólogos do site osgatos.com... Ou menos!

No entanto, em casa, eles tinham agora nem vinte centímetros de comprimento. Eram magros, rápidos e planejavam trazer outros gatos para aquela confortável habitação, como de fato notamos, mais tarde, um gato maior e diferente jantando sorrateiramente. Sim, pois o serviço estava especializando-se. Meu pai agora preparava, todas as manhãs, numa tampa velha de uma vasilha, alguns deliciosos pãezinhos mergulhados em leite longa vida. Havia água, em um recipiente maior, trocada de uma em uma hora; o calor era intenso. No almoço a elegância reservava pedaços grandes de carne perdidos em arroz arbóreo. Á noite repetia-se esse cardápio com uma larga dose de atenção, carinho e orgulho por parte de alguns que já estavam, inclusive, a expor os gatinhos como novos membros de nossa constituída família.

Assisti adultos barbados e senhoras distintas perderem a sensatez. Era um tal de “cute, cute, cute... vem papá vem pletinho!”; “mô fofinho... cadê o blanquinho hein?”. Existiu todo tipo de exclamação: Nhá! Unhé! Anhiii! E, num misto riso e incompreensão do absurdo, a minha exclamação: Méodeus!

Dessa forma, acabei decidido que eles estavam dominando o espaço. O meu espaço! Então me organizei com meus devaneios e botei gás em minha chapa “diga não aos gatos”. Atormentei vários amigos especulando uma maneira de me livrar deles de forma branca. Surgiram muitas opções. A chapa estava funcionando, pois agora eu tinha outro partidário: meu irmão que foi censurado quando quis trazer em casa um peludo poodle.

A insanidade estava invadindo minha vida que comecei a organizar um reality show aonde acabei por fazer vários longos vídeos. Com direito a produção do tipo: “vou jogar um limão pra ver a reação deles”. E depois delirava com a exibição na tela do computador, agora pra uma platéia maior e perdida em admiração. Foi quando me peguei com o rosto de sobrancelhas caídas e com a cabeça levemente inclinada para a esquerda; estava perdidamente apaixonado por aqueles peludos folgados!

Ontem o Centro de Controle de Zoonoses veio buscá-los.

música:
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Alex Pinheiro

11 comentários:

  1. "Ohhh, “cute, cute, cute” que coisinha mais linda, dá vontade de mergulhar ele no meu café!"
    Bichanos que sempre fui apaixonada!
    Se tiver algum dando sopa por aí, estou aceitando doações!
    Beijos

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  2. eu gosto de ler sublinhando... droga! Perdi o tesão da leitura! hauahuahau

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  3. a estória é ótima,que bom q o final foi feliz,já estava com receio que vc iria fazer alguma sacanagem com os gatinhos....rs ufa!

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  4. Vc apaixonado
    por aqueles pequenos peludos
    eu, por suas palavras...
    Amo felinos!

    .Sensível.

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  5. hahahaha foi traido por vc mesmo!

    Eu confesso que não sou fã de gatos, mas os filhotes até acho engraçadinhos...

    beijos

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  6. acho que a insanidade que invadiu a sua vida esgueirou-se para fora desse texto e invadiu meu comentário.

    (:

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  7. Tão bom quando boas surpresas nos invadem a rotina! Fez bem pra você!


    Abraços!
    www.lizziepohlmann.com

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  8. Gatos são bem interessantes, porém os pequenos e inexperientes causam um pouco de confusão, o que não é muito confortável. Seu texto me divertiu, convido - o a passear mais um pouco pelo meu blog...

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  9. Senti certa semelhança com a história 'baseada em fatos reais' [mta cretinisse isso - rs] de uma tal de Simone! Acho que vc chegou a conhece-la!
    UAHSuhAUhsUHAS
    Legal saber que vc criou sentimento felino xP

    Abrçs

    P.S.: Conhece Little Joy? Fui num show deles esses dias e só conseguia viajar na minha irmã e vc exclamando: "nuss mew, mto loko o som dos kras" - rs

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a imagem-título é uma invenção de Mariah

 
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