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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

inventando a vida

Os festejos por acá estão chegando ao fim, porém ainda na conexão de letras importantes da blogosfera, para minha construção literária, busco prosa-quase-roteiro que encontrei sobrando na cinematográfica escrita de Isabella Kantek. Enquanto, "por pura loucura, sintonia ou necessidade", o carioca Clóvis Struchel musica a vida em palavras rítmicas. Ambos com uma tremenda facilidade de prosear realidades.
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Coloco na roda: Isabella Kantek com Desmemorium e Clóvis Struchel em Poesias Crônicas
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A caixa de música
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A avó sabendo que estava para morrer em segredo pediu um pouco do perfume do bebê - primeiro neto - e embebeu um pedaço de pano.Todos os dias ela passava o lenço no rosto, cheirava e deixava os minutos dançarem feito bailarinas na sua frente.
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No meio da cama o corpo monocromático com as mãos sobre o seio.
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Com os dias, ela foi piorando e as bailarinas vestiam negro. A família encomendou uma cerimônia religiosa contra a vontade dela.
E então, sem que vissem, queimou o tecido guardando as cinzas numa caixa que mandou para mim - ela mais jovem.
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Durante o tempo em que sozinha no relento balançar.
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impulso
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inclino o meu corpo em direção a seus olhos, sedentos por uma vodka e um cigarro, reclamando do calor e do trânsito e da vida e da demora de tudo; inclino ainda mais o meu corpo, enquanto articulas sobre as notícias e o trabalho e o aluguel absurdo e o preço da gasolina; inclino o meu corpo em extensa demasia, enquanto comentas o filme em cartaz, o livro que lera, as piruetas do seu cão, a canção da novela; inclino intensamente o meu corpo, você indaga-se a respeito da política, da meteorologia, da gastronomia, da filosofia, dos seus dissabores; inclino plenamente o meu corpo num só impulso em direção a seus olhos, e desabo cruamente no chão.Você percebe-me inteiro, palpável, acessível, vulnerável; retraio com destreza o meu corpo acanhado, para que já não me vejas...
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música:Faz de Conta[Fagner(Roberto Mendes/Herculano Neto)]
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enquanto comemoro por aqui, escrevo aqui: MySpace

7 comentários:

  1. Sobre o texto da Isabela: quando tudo inclina para um lado e vai pro outro.

    Um Beijo.

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  2. Poxa, bacana Alex.
    Texto antigo, falta umas duzentas crases nele. Acho que aos 17 eu não revisava as minhas linhas rs

    Mas enquanto imagem ele funciona bem.

    E o texto da menina é muito belo, sensível, sutil.


    Abração, poeta.
    Valeu mesmo pelo carinho.

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  3. Quanta honra, caro Alex! Muitíssimo obrigada pela lembrança e delicadeza. Sorrindo, sorrindo.
    Gostei muito mesmo do parceiro que arrumou para A Caixa de Música. Na "inclinação" das palavras [e sentires] o "Impulso". Uma beleza de texto!
    Beijos saudosos de invento. =)

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  4. Sublime, bonito, espetacular!

    Abraço amigo poeta! Tô arrumando umas coisas para voltar para a blogosfera de vez! =D

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  5. é sempre um prazer receber comentários teus
    mas......
    preferia ler os teus inventoS, a ser comentada. :)
    bjs
    a

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  6. A Kantek faz coisas com as nossas percepções.

    Belíssimo texto. Acomodado no banco das todas possibilidades.
    Andarei sempre aqui por teu espaço. Peço lincença não, tá?
    =]Abraço.

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  7. Passando^^
    Adorei os textos, nhaaaiii.. queria escrever assim, tão belamente. Claro que meu blog já ta meio largadinho, ninguém visita hihihih
    Sumido, vê se aparece!

    Abraz^^

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a imagem-título é uma invenção de Mariah

 
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